De longe, o evento de maior popularidade da Campus Party foi o debate sobre regulamentação da internet na tarde desta sexta. O palco de software livre ficou pequeno para a plateia que, praticamente toda, protestava contra o projeto de Lei regulamentadora da internet. Sob o tema “O futuro da internet no Brasil”, foram a mesa, defendendo o projeto, os desembargadores José Henrique Santos Portugal e Fernando Neto Botelho; e do outro lado, o o sociólogo Sérgio Amadeu e o advogado Ronaldo Lemos.

Para os críticos do projeto, a regulamentação é abusiva e acaba com a privacidade e a liberdade de expressão únicas que só um meio como a internet proporcionam. A plateia adicionava à argumentação cartazes com dizeres irônicos “pela liberdade na internet”, “contra a ditadura”, além de piadas contra o autor do Projeto.
Por outro lado, os defensores da regulamentação basearam seu discurso no fato de que a lei não era tão severa quando parecia e que a internet chegou a um nível que precisa de regras, principalmente contra crimes virtuais. Esse texto seria, também, um primeiro passo para outros que virão a ser necessários, além de já ter sofrido várias emendas. A quesão da severidade diz respeito às penas previstas de 1 a 3 anos. Para o desembargador Portugal (foto acima), isso não deve assutar porque, devido ao tempo que preveem, elas podem ser modificadas para regimes abertos, multas, dependendo de cada caso. Mas a plateia não pareceu levar em conta essa defesa e o uso por Portugal de termos como “selva digital” ou frases como “defender os direitos do software que você criou”, que claramente não comoveriam a plateia.

