Dia de campuseiro

A presença de uma coruja em um acampamento não pareceria estranha se as barracas não estivessem dentro do Centro de Exposições Imigrantes. O suposto piar foi o despertador “natural” desta manhã para alguns, mas não demorou muito para que alguém quisesse a presença de um segurança, naquele momento o zelador do sono e o enviado para acalmar a empolgação da turma que havia acabado de acordar.

Problemas? Na Zona Arena, 6.513 campuseiros vivem harmoniosamente desde a última segunda-feira, dia 19. As barracas ficam dispostas em um amplo salão, e é fácil, pelo menos no princípio, esquecer onde está a sua, apesar da numeração. Porém, aos poucos cada um personaliza o espaço: vale toalha secando na cobertura, sacola pendurada na entrada, placas de identificação improvisadas.

Durante a noite, muitas barracas parecem grandes luminárias, alimentadas pela energia dos notebooks. O apagar das luzes, no entanto, não significa que a agitada programação tenha acabado. Campuseiros vindos de todas as partes seguem embalados navegando com a conexão de altíssima velocidade, assistindo a alguns filmes no telão, jogando seus games, criando códigos de programação e relaxando nos pufes.

Neste clima descontraído circulam jeans, chinelo, tênis, camiseta e cobertor, como na noite de ontem, quando o frio surpreendeu aqueles que esperavam as altas temperaturas. A tecnologia é o mote dessa festa bem-humorada, em que vale oferecer abraços gratuitos, acenar para o site de vídeos e fotografar tudo.

Pela manhã os celulares-despertadores tocam a todo canto. Um novo dia para aproveitar as palestras, que ocorrem todas no mesmo amplo ambiente, disputando decibéis. A concentração dura até um robô criado por um grupo passear mostrando suas habilidades pelo local. Nada estranho para os acostumados a executar tantas tarefas simultâneas, habituados a navegar enquanto assistem televisão, comem, conversam no msn e falam ao telefone.

De repente uma movimentação espontânea e ovações atraem a atenção e a presença de todos, que assim que chegam ao local percebem que não passava de mais uma demonstração do bom humor da Campus…

Futuro da internet em debate acalorado

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De longe, o evento de maior popularidade da Campus Party foi o debate sobre regulamentação da internet na tarde desta sexta. O palco de software livre ficou pequeno para a plateia que, praticamente toda, protestava contra o projeto de Lei regulamentadora da internet. Sob o tema “O futuro da internet no Brasil”,  foram a mesa, defendendo o projeto, os desembargadores José Henrique Santos Portugal e Fernando Neto Botelho; e do outro lado, o o sociólogo Sérgio Amadeu e o advogado Ronaldo Lemos.

Protestos

Para os críticos do projeto, a regulamentação é abusiva e acaba com a privacidade e a liberdade de expressão únicas que só um meio como a internet proporcionam. A plateia adicionava à argumentação cartazes com dizeres irônicos “pela liberdade na internet”, “contra a ditadura”, além de piadas contra o autor do Projeto.

portugal

Por outro lado, os defensores da regulamentação basearam seu discurso no fato de que a lei não era tão severa quando parecia e que a internet chegou a um nível que precisa de regras, principalmente contra crimes virtuais. Esse texto seria, também, um primeiro passo para outros que virão a ser necessários, além de já ter sofrido várias emendas. A quesão da severidade diz respeito às penas previstas de 1 a 3 anos. Para o desembargador Portugal (foto acima), isso não deve assutar porque, devido ao tempo que preveem, elas podem ser modificadas para regimes abertos, multas, dependendo de cada caso. Mas a plateia não pareceu levar em conta essa defesa e o uso por Portugal de termos como “selva digital” ou frases como “defender os direitos do software que você criou”, que claramente não comoveriam a plateia.

Acessibilidade de verdade

O único lugar da Campus Party em que qualquer pessoa pode usar um computador é o Telecentro. A parceria com o Instituto Efort, que já rendeu à população um Telecentro com acessibilidade total, traz para a exposição máquinas com leitores de tela, impressora Braille, ampliadores de texto e teclado e mouse especiais para pessoa com deficiência motoras.

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Na foto acima, computador com leitor de tela e impressora Braille.

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Nesta imagem, o ampliador para leitura de papéis na tela do computador. Abaixo, o teclado ampliado diminui dificuldades motoras.

Teclado ampliado

O videogame Wii, trazido pelo Instituto Efort, foi mais uma ferramenta de inclusão.

Wii

Atração confinada à arena

A Expo da Campus Party tem de tudo. Jogos normais ou não, acesso à internet e inclusão digital, software livre, conteúdos variados, robôs, ou seja, tudo que tem dentro da arena da festa também. Só falta uma coisa: simuladores.

As variadas opções de games não trazem essa diferente atração a que tem acesso quem está dentro da arena. A área de simulação tem cockpits caseiros com cadeiras que tremem (equipamento butt kick), manche, acelerador e pedais que vão muito além do joystick, que dirá do teclado e do mouse. Mas isso tudo e os vídeos de aviação (em simuladores) e demonstrações de aviões e de vôo não são parte da expo.

Fica aí a dica para as próximas edições. O sucesso ia ser garantido.

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Esse é o “esqueleto” de um cockpit caseiro. É feito de canos de PVC. Abaixo, o palco da área de Simulação, na arena da Campus Party, com controladores de aviação e outros tipos de veículos, entre tanques e submarinos.

simuladores

Batismo Digital aproxima gerações na Campus Party Brasil

Da assessoria do evento

Ação promove os primeiros passos e desperta o interesse do universo digital para populações de baixa renda; avó e neto compartilham dos mesmos interesses.

Criado com o objetivo de incentivar as classes menos favorecidas da população a aplicar a tecnologia em suas vidas pessoais e profissionais, o Batismo Digital 1.0 e 2.0 da área de Inclusão da Campus Party Brasil 2009 já está cumprindo seu papel. Em média 800 pessoas passam diariamente pelo módulo com 200 computadores, acompanhadas de monitores treinados para despertar o interesse pela sociedade em rede em gente de diferentes idades.

Por estar situado na Área Expo e Lazer da Campus Party, o espaço tem sido visitado não só pelas caravanas agendadas pela organização como por visitantes do evento em geral, que usam os computadores para entrar na Internet, jogar e se comunicar pelas redes sociais. “Estamos notando que muitas pessoas já chegam com um conhecimento mínimo de computação e web, mas há também muitos casos de gente que chega aqui para ser batizada propriamente. São idosos, adultos e crianças que querem entrar para o mundo digital”, comentou Raul Luiz, coordenador da área, que conta com as versões de batismo 1.0 (pra quem nunca teve acesso a um computador) e 2.0 (para os que já tem um conhecimento mínimo).

Joana Henrique de Lima, de 56 anos, e seu neto Gustavo são exemplos da inversão dos modelos tradicionais de batismo. No digital, os mais velhos é que são os menos experientes. “Acabei de criar meu email e queria que tivesse algo a ver com vovozona. É que a criançada do bairro me chama assim”, brinca Joana, moradora do CDHU Jardim Tropical, em Perus, que trouxe toda a família para a Campus Party. “Estou achando tudo muito diferente. Nunca tinha visto tanto computador junto”, conta ela.

Já Gustavo, de 7 anos, não tirou os olhos da tela, tentanto colocar bananas na boca de um gorila em um jogo online. “Já tinha usado os computadores lá do CEU (Centros Educacionais Unificados) de Perus, mas aqui é diferente: tem mais gente, mais computador e eu posso ficar jogando durante um tempão”, diz o garoto. E a vovó? “Agora estou tentando entrar no Orkut. Quero me comunicar com o mundo todo”.

Discussões polêmicas agitam Palco CampusBlog

Da Assessoria do evento

Recém-lançado pela pesquisadora Raquel Recuero, livro digital Blogs.com traz textos acadêmicos para entender o panorama da blogosfera

O direito conhece a internet? É possível ganhar dinheiro com blogs? Essas são algumas das questões colocadas nesta quinta-feira nas palestras promovidas pela área CampusBlog na Campus Party Brasil 2009. Ronaldo Lemos, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), representante brasileiro da nova licença de direitos autorais Creative Commons, defende que a área precisa de uma legislação específica para que não se repitam resultados como o do “caso Cicarelli” (que culminou em decisão judicial que, em janeiro de 2007, provocou a suspensão temporária do serviço do YouTube no Brasil).

“A sociedade brasileira precisa decidir quais caminhos seguir para regulamentar a internet. A quebra do sigilo do provedor de internet – blogueiro, site e provedor de serviço – só deveria acontecer em casos de crimes grave, como pedofilia e tráfico, e não em casos onde haja somente interesse individual e não público”, afirmou Lemos. Ivo Corrêa, advogado do Google Brasil, acredita que o cerne do problema está no descampasso entre a lei e a realidade. “Não se pode tratar as redes sociais da mesma maneira que as mídias tradicionais”.

No painel “Monetização e programas de afiliados”, Leonardo Galvão (Mercado Livre), Thiago Lobão (Buscapé), Regis Andaku (UOL) e Ricardo Wright (Google Adsense) examinaram temas como acesso-remuneração e os bits que geram renda. “A CampusBlog é uma área muito heterogênea e decidimos tocar em pontos críticos e sensíveis, como o do post pago, para trazer à tona discussões que renderão ainda mais perguntas do que conclusões”, afirma o coordenador da área Edney Souza.

Blogs.com

É justamente para tentar explicar de uma forma teórica, mas acessível, todos esses assuntos, que Raquel Recuero, Sandra Portella Montardo e Adriana Amaral lançaram o livro digital Blogs.com – Estudos sobre blogs e Comunicação, dentro da Campus Party. O livro é composto por 11 artigos de pesquisadores que oferecem uma série de conceitos e definições de blogs, bem como diferentes interpretações sobre seus usos. “A coisa mais divertida de estudar os grupos sociais e a tecnologia é que eles estão em constante mudança”, afirmou Raquel, pesquisadora da Universidade Católica de Pelotas, que começou a usar as redes sociais em 1994 e quatro anos depois decidiu pesquisar a fundo o tema. “Raquel é a pop-star da academia”, se diverte Edney, ao descrever o trabalho inovador da professora de 31 anos.

Aprenda a tratar imagens com software livre

Essa sexta-feira (23/01) é mais um dia de muito aprendizado no Telecentro da Campus Party. Participe e traga os amigos. As aulas são gratuitas e não é preciso fazer inscrição. As aulas mais procuradas são as de edição de imagem com o Gimp.

O Telecentro da Campus Party possui, como as outras unidades, 20 computadores com acesso à internet, além de máquinhas com acessibilidade total, graças à parceria com o Instituo Efort. Os computadores de acesso à internet usam sistema operacional Linux, gratuito e de código aberto, assim como também são gratuitos os softwares com os quais se trabalham nas oficinas.

11h – Tratamento de imagem

13h – Pesquisa na Rede: Vá direto ao foco!

15h – Animação de imagens

17 – Emprego: O que você busca? Pesquise aqui!

19h – Tratamento de imagem

21h – Pesquisa na Rede: Vá direto ao foco!

Diferencial no atrativo

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Não é possível negar que a inclusão digital é uma das principais bandeiras da exposição da Campus Party Brasil. Vários estandes permitem acesso a computadores e à internet, dos patrocinadores ao Acessa São Paulo, do governo estadual, e o Telecentro, da Prefeitura Municipal. Nem por isso a procura pelas máquinas do Telecentro fica menor.

A competição é acirrada. São várias opções de jogos, que atraem fortemente as crianças. Mas o diferencial do Telecentro são os conteúdos dos cursos, que mantêm, nos horários de maior movimento da feira, a casa cheia.

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Os participantes vêm em grupos de poucas pessoas, ou mesmo de 20, lotação máxima do Telecentro. O curso mais procurado, assim como nas unidades espalhadas pela cidade, é o do editor de imagens Gimp, que já foi comentado aqui. Maquear a Angelina Jolie, ou colocar “em chamas” uma foto normal do ator que faz a Tocha Humana no cinema (com todas máquinas ocupadas, não foi possível à nossa reportagem participar desta oficina) são experiências muito interessantes que podem ser repetidas em casa ou nos Telecentros da cidade.

Acessibilidade até no video game

Dentre os vários jogos eletrônicos disponíveis, uma das atrações que mais faz sucesso na exposição da Campus Party é o Wii instalado no Telecentro através da parceria com o Instituto Efort. A ideia é demonstrar que não há restrições para quem quiser jogar.

É só entrar na fila e esperar a sua vez.

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Nas fotos acima e abaixo, o instrutor auxilia uma jogadora inexperiente. O game mais jogado é Wii Sports, com boliche, tênis e outros esportes.

Wii no Telecentro 2

E abaixo, em foto da organização da Campus Party,  uma pessoa com deficiência joga.

Brincando com fotografias

Veja o resultado de uma oficina de tratamento de imagem aqui no Telecentro da Campus Party.

Essa era a imagem:

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Parece que ela acabou de acordar. Mas, depois de um pouquinho de tratamento no programa Gimp, ficou assim:

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Agora pode até entrar em uma festa pelo red carpet.

É possível observar o realce dos olhos e boca com cores diferentes, um retoque na maciez da pele e ainda uma suave maquiagem nas bochechas. Tudo isso foi feito com ferramentas simples que podem ser utilizadas por qualquer um, no software gratuito (de código aberto) Gimp (www.gimp.org, em inglês). Se o sistema operacional for Windows, há como baixar uma versão específica do programa.

A oficina foi ministrada pela professora Nancy Furtado, que responde no e-mail nancytelecentros@yahoo.com.br.